HOMILIA DO XV DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A

EFICÁCIA DA PALAVRA DE DEUS
POR PE. TARCÍSIO AVELINO,TF

A liturgia de hoje vem nós ensinar sobre a eficácia da Palavra de Deus e já no começo nós deparamos com uma aparente contradição pois a Primeira Leitura afirma que A Palavra de Deus é como a chuva que cai e não volta para o céu sem produzir frutos. De fato A Sagrada Escritura afirma de si mesma dizendo que "A Palavra de Deus é viva e eficaz" (        ). É viva porque é uma Pessoa, Jesus, O Verbo Encarnado e é eficaz porque esta Pessoa sendo Deus tem num mesmo ato e tempo, o pensar o querer e o executar, sem nada que possa impedir. Assim, logo surge a pergunta: porquê então, Nosso Senhor usa no Evangelho de hoje, na Parábola do semeador a figura da semente para ensinar que a quantidade e a qualidade dos frutos por ela produzido dependerá do tipo de solo em que cair? É porque ao nos criar Deus havia feito somente um tipo de terra no Paraíso, o solo bom,bem como nos corações, os corações abertos e dóceis para acolher Sua Palavra; mas, criando-nós livres à Sua imagem semelhança possibilitou o sim ou o não à Sua Soberana vontade por parte dos homens. Como os homens escolheram desnobrecer a Deus naquele exato momento, Deus não somente pronunciou as consequências desta desobediência também no solo sendo que só a muito custo a terra lhe daria os frutos de seu suor,como também no exato momento da desobediência entrou o egoísmo no co coração do homem que originou as diversas disposições frente à Palavra de Deus como lemos no Evangelho de hoje.
 Portanto, fica claro que, não obstante a eficácia da Palavra de Deus, a quantidade e a qualidade de frutos que Ela produzirá em nós e através de nós dependerá do modo como acolhemos Essa Palavra em nosso coração.
Tendo feito este necessário esclarecimento, podemos agora nos deter na explicação que O Próprio Jesus dá dos diversos tipos de solo que nomeia em Sua Parábola e que são 4:
O primeiro tipo de solo, o solo de beira de caminho, Nosso Senhor afirma ser "todo aquele  que ouve a Palavra do Reino e não a compreende". De fato, um dos significados que podemos dar à palavra compreender é acolher, portanto, trata-se aqui, daqueles que ouvem de má vontade a Palavra, daqueles que escutam-na mas que entra por um ouvido e sai pelo outro, como costumamos dizer, nestes, Jesus afirma que "vem o maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. É preciso que se diga aqui que ninguém é somente mudos tipos de solo descritos nesta Parábola mas que todos nós ora somos um ora somos outro tipo de solo, dependendo do nosso estado de vigilância que tanto Jesus nos recomenda em Sua Palavra. É preciso, portanto batermos no peito e reconhecer: quantas vezes saímos da Igreja sem ao menos nos lembrar do Evangelho que foi proclamado, porque, como diz Jesus, estávamos com má vontade de compreender A Palavra, distraídos no exato momento em que Deus quer nos falar.
O segundo tipo de solo, o terreno pedregoso, "é aquele que ouve a Palavra e logo  a recebe com alegria ; mas não tem raiz em si mesmo, é de momento; assim que chega o sofrimento, a perseguição, por causa da Palavra ele desiste logo. Quantas e quantas pessoas em nossos grupos de orações, atrás da cura e dos milagres e não do Senhor dos milagres, sem criar raízes em si pelo comprometimento com o Evangelho, que experimentaram as doçuras que Deus sempre concede na oração dos neo-convertidos que logo desistem de perseverar no serviço do Senhor quando experimentam a aridez espiritual e as tribulações que Deus necessariamente nos permite para nós purificar preparando-nos para alcançar os graus místicos da oração,que logo desistem de Deus e até mesmo,decepcionados mandam de igreja?
O terceiro tipo de solo é o solo espinhoso "e aquele que ouve a palavra,mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra" isto só e possível por que a pessoa que conhece o evangelho na verdade ainda não esta verdadeiramente  convertida pois não amam a Deus sobre todas as coisas,não estão comprometidas com o evangelho  servem a Deus apenas com o que lhes sobra de seu tempo e de seus recursos ao passo que a verdadeira conversão exige um coração indiviso todo de Deus e para Deus, isso é amar a  Deus sobre todas coisas, sem isso, a Palavra não produzirá frutos em nós.
Finalmente, temos o quarto tipo de solo que é a terra boa, são todos aqueles que escutam a Palavra de Deus com a disposição de deixar que ela desmascare nossas incoerências pois tem-se verdadeiramente o sincero desejo de se conformar com a vontade de Deus na verdadé este quarto tipo de solo são as pessoa que já estão adiantadas no processo da santificação pessoal devido a sua generosa correspondência a cada graça que Deus não cessa de conceder para nosso progresso de identificação com Ele até que possamos nos unir com Ele eternamente por isso a Segunda Leitura nos exorta dizendo que os sofrimentos da vida presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós pelo que não devemos desanimar como S pessoas comparadas com o solo pedregoso  que são de momento pois fogem assim que "chega o sofrimento ou a perseguição por causa da Palavra" mas que perseveremos como os mártires crendo que "Deus não permite que sejamos provados acima de nossas forças" pois somente os que perseverarem até o fim serão salvos. (Mt.24). 

MAIS QUE OS PARDAIS

   XII DOMINGO DO TEMPO COMUM - A                                      

  
MAIS QUE OS PARDAIS
POR: PE. TARCÍSIO AVELINO, TF

Neste décimo segundo domingo do tempo comum a Liturgia nos convida a refletir sobre a fonte da confiança exigida no anúncio do Evangelho, como meio de combate ao medo de tudo o que ameaça a integridade dos discípulos de Cristo.
"Não tenhais medo dos homens pois não há nada de encoberto que não venha a ser revelado". Aqui trata-se do medo das calúnias que poderão levantar contra nós ou da impunidade perante aqueles que nos perseguem secretamente. NÃO HÁ NADA ENCOBERTO QUE NÃO VENHA A SER REVELADO. Ou seja, um dia virá a tona toda a maldade que fizeram contra nós muitas vezes com maquinações que nem nós mesmos sabemos, já que o Maligno gosta de agir em segredo, na sorrateira, como a serpente que está sempre pronta a dar o bote quando menos esperamos. Além disso aqui também podemos considerar o medo de perder o bom nome pelas calúnias que muitas vezes armam contra os ministros do Evangelho, uma vez que sua vida ilibada causa incômodo pois denunciam seu modo de agir, como lemos em "Eis o justo matemo-lo pois sua simples presença nos incomoda". (Sb.2,12)É o que experimentou o profeta Jeremias como vemos na Primeira Leitura; "Talvez ele cometa um engano e nós poderemos apanhá-lo e nos vingar dele". Vingar de que? da denúncia que fazemos de seu mau comportamento. 
Mas infelizmente muitos cristãos também se omitem em denunciar os costumes contrários não só à Lei de Deus como também aos direitos humanos que emanam todos desta mesma Lei de Deus, e, sabemos que o respeito humano nada mais é do que o medo de perdermos a estima dos homens mas "o que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma no inferno? (Mc.8).
Porque tanta resistencia ao justo ao ponto de que os discipulos de Cristo tenham medo em anunciar o Evangelho? A segunda Leitura responde dizendo que a morte entrou no mundo com o pecado, não só a morte física mas a morte eterna e tudo o que leva a morte, como por exemplo o egoísmo e a vaidade de não querer ser contradito como o será a grande maioria das pessoas que querem ignorar a presença de Deus e de Seus mandamentos pelo que sentirão repugnancia não só pelas palavras dos cristãos mas principalmente pela sua vida que será sempre uma denúncia de sua maneira de agir desencadeando a violencia porque as trevas não subsistem diante da Luz (Jo.1,5).
Alem disso, neste primeiro versículo do Evangelho de hoje, Nosso Senhor está nos dizendo que nem uma vírgula de Sua Mensagem deve ficar guardada só para seus discípulos mas deve ser gritado de cima dos telhados para que todos conhecendo a verdade possam se libertar das trevas os que ainda não Conhecem O Caminho, A Verdade e A Vida.
"Não tenhais medo daqueles que matam o corpo (...) temei Aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno". Aqui, Nosso Senhor acrescenta que os que se envergonharem de Sua Mensagem serão réus de condenação eterna pois se negaram a ser filhos do amor dando a maior prova de amor que se pode dar ao nosso semelhante que é dar a vida para que conheçam a Verdade e se salvem.  "Aquele que se declarar ao meu favor diante dos homens também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está no Céu".
A razão pela qual podemos confiar em Deus é o fato de sermos Seus filhos e para que não duvidemos disso Cristo invoca o exemplo dos pardais que O Pai em Sua Providencia alimenta dia após dia, quanto mais não cuidará daqueles que criou à Sua imagem e semelhança pelos quais entregou Seu próprio Filho quando ainda éramos Seus inimigos, "quanto mais agora estando já reconciliados não nos dará com Ele todas as coisas?" (Rm.8,32)
Para encerrar perguntamo-nos como não temer perante o destino que tiveram tantos mártires baramente torturados por causa do Evangelho? Respondo dizendo que basta olharmos para o exemplo de quantos livramentos Deus concedeu aos Apóstolos na Bíblia, mas quando chegou a hora de partirem deste mundo, já tinham as graças necessárias para passarem pelas maiores torturas com uma fortaleza admirável e com uma alegria tão grande que podemos afirmar com certeza pelos testemunhos de tantos outros mártires que morreram cantando em meio aos tormentos que no momento em que fôr necessário passarmos qualquer dissabor pelo Evangelho, não faltará as graças para sofrer com dignidade, para aqueles que forem fiéis nas pequeninas obrigações de seu dia a dia como lemos na Parábola dos Talentos em Mateus capítulo 25 que quem é fiel no pouco eu lhe confiarei muito mais ou seja, quem é fiel às graças que Deus concede para as mínimas tarefas de cada dia, recebe graças para enfrentar as maiores tentações. E: "Deus não permite que sejamos tentados acima de nossas forças"(1Cor.10,13)  mas, juntamente com a tentação nos concede todas as graças para enfrentá-las.


    

            SANTÍSSIMA TRINDADE: 

        NOSSA ORIGEM, NOSSO PORTO



POR: PE. TARCÍSIO AVELINO, TF
No dia de hoje como que encerramos a celebração de todos os Mistérios de Deus revelados por Nosso Senhor Jesus Cristo desde Sua Encarnação no ventre de Maria pois celebrar a Santíssima Trindade é como se subíssimos no Monte mais alto da Inteligencia humana onde se descortinasse a paisagem que a alma humana sempre ansiou por contemplar. De fato, como poderia a mente humana imaginar que Deus pudesse ser Três Pessoas num Único Deus indivisível se O Próprio Cristo não no-lo tivesse revelado?
Mais do que nos explicar como se dá essa unidade na Trindade. As leituras da Missa de hoje somente nos revela que são Três Pessoas num só Deus e que esta idéia já estava tão arraigada na mente da Igreja desde o Seu nascimento que a Segunda Leitura nos mostra a saudação trinitária dos primeiros Cristãos e que perpassou toda a História da Igreja até os nossos dias tornando-se o modo habitual de iniciarmos qualquer oração: EM NOME DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO bem como a conclusão de das principais orações litúrgicas: POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO VOSSO FILHO, NA UNIDADE DO ESPÍRITO SANTO. A saudação da Segunda Leitura de hoje foi tão importante na Igreja nascente que se tornou a saudação inicial de cada Santa Missa e de alguns Sacramentos da Igreja: A GRAÇA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, O AMOR DO PAI E A COMUNHÃO DO ESPÍRITO SANTO ESTEJAM CONVOSCO. Analisemos cada elemento desta saudação para que entendamos um pouco da missão principal de cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade: 1. A Graça de Nosso Senhor Jesus CRISTO. Porque numa saudação que tem que, necessariamente ser sintética se escolheu a Graça para se referir a Nosso Senhor Jesus Cristo? Porque a missão dele foi justamente possibilitar a reconciliação do home com Deus através da Redenção na qual Ele perdoou  e pagou nossas dívidas em nosso lugar, ou seja, se deu a nós de graça vencendo o abismo que dEle nos separava, vindo habitar entre nós pela Encarnação; 2. O amor do Pai, Porque o amor para se referir ao Pai se as Três Pessoas divinas são todas, O Amor? Porque este atributo se aplica mais propriamente Ao Pai cuja missão principal, embora em todas as missões de cada uma das Pessoas da Trindade todas as pessoas estão implicadas, porque a missão principal do Pai é ser Criador e Ele nos criou por amor, somente para se dar a nós. O Evangelho nos fala justamente de como é este amor do Pai por nós ao ponto de nos entregar O Seu Filho para morrer por nós quando a humanidade inteira era inimiga de Deus pelo pecado: “de tal maneira Deus amou o mundo que entregou Seu Filho Único para que todo aquele que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna”
O Evangelho de hoje, é, justamente, a especificação do principal atributo de Deus revelado por Ele mesmo dentre outros, a Moisés, conforme lemos na Primeira Leitura: “Senhor, Senhor! Deus clemente, paciente, rico em bondade e fiel”.
Então para concluir podemos resumir dizendo que Deus só podia ser comunidade, ou seja, comum unidade porque sendo Ele O Próprio amor é necessário que seja uma comunidade para que uma Pessoa possa se dar a outra já que amar é se dar.