V DOMINGO PASCAL ANO C


COMO EU VOS AMEI, Passaporte para o CÉU
 

POR: PE. TARCISIO AVELINO, TF

Estando próximo de celebrar a Ascenção de Jesus ao Céu, quando se ausentará da forma visível com a qual esteve presente com Seus conterrâneos durante mais de trinta anos, a Liturgia retoma o Evangelho da Quinta Feira Santa, quando Jesus deixa Seu testamento anunciando a forma nova de ser relacionar com Seus discípulos de todos os tempos, o amor conforme dissera: “onde dois ou três se reunirem em meu Nome eu estarei presente”. Em Seu Nome significa, entre outras coisas “na qualidade de discípulos Seus” cuja identidade fica clara no Evangelho de hoje quando o próprio Jesus define Seus seguidores: “nisto conhecerão que vós sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.

Chama-nos a atenção o fato de que no Evangelho de hoje no exato momento que Judas sai do Cenáculo onde Jesus se encontra com Seus discípulos Jesus diga que será glorificado pois o que Judas está indo fazer é justamente desencadear um processo que culminará na Cruz e morte de Cristo e Jesus fala em glorificação. No entanto, para compreendermos isso é necessário compreendermos a raiz da palavra “glória”.  “glorificar” significa “fazer visível” a alguém no luminoso esplendor de sua verdadeira realidade; glorificar: é “evidenciar”, “visibilizar” o mais profundo do outro, “sacar à luz” seu grandioso mistério escondido. Assim, Jesus está nos dizendo que na cruz manifestará Sua completa identidade divina ao mundo e como Ele e O Pai são um, ao revelar Sua glória estará também revelando a glória do Pai que é amor.

“Dou-vos um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei”. Chama de novo o mandamento antigo de nos amarmos uns aos outros porque na Antiga Aliança o Mandamento era que nos amássemos uns aos outros como a nós mesmos no entanto o amor humano é sempre limitado ao passo que o amor de Deus nos eleva até Deus, único que pode nos realizar plenamente. Amar como Jesus amou é amar até o extremo de dar a vida para que todos tenham vida plena e abundante, a vida de Deus, a vida eterna.

“Nisto conhecerão que vós sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”, mas com o mesmo amor com que Jesus nos amou e isso só é possível porque “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espirito Santo que nos foi dado” (Rm.5,5) ou seja, Deus nos capacitou a amar como Jesus nos amou porque nos concede o Seu próprio amor que é O Espírito Santo, desde o dia de nosso batismo.

E o que significa amar como Jesus amou? É se doar até a morte, por isso na Primeira Leitura lemos que “é preciso passar por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” porque O Reino de Deus é a Comunhão eterna com Aquele que é amor e que o que a Segunda Leitura nos apresenta sob a figura da Jerusalem celeste que desce do céu adornada como uma esposa para o Seu Marido. Deus é o Esposo de nossas almas. A Jerusalem celeste é a Igreja Triunfante, composta por todos aqueles que se assemelharam a Jesus amando como Ele amor e que por isso, foi se assemelhando a Ele mais e mais até estar em condições de ser um com Ele eternamente.
O amor é a chave que nos abre o céu que é a própria vida em Deus.
IV DOMINGO DO TEMPO PASCAL C
 
 

O BOM PASTOR E SUAS OVELHAS
POR: PE. TARCISIO AVELINO
 
Convinha que neste quarto Dominigo da Páscoa, quando estamos para encerrar este tempo máximo da fé cristã, a liturgia nos oferecesse uma visão panorâmica de tudo o  que temos celebrado desde o inicio da Quaresma até aqui para que, compreendendo aonde Deus nos quer conduzir e o que Ele pede de nós depois de tudo o que sofreu por nós, nos preparemos agora para fazer a nossa parte.
A Segunda Leitrua nos oferece uma antevisão da gloria que aguarda a todos os que se deixaram atrair pelo imenso amor revelado por Deus em Seu Filho crucificado pelo amor de nós: “uma  multidão que ninguém podia contar, de todos as nações, povos, raças e línguas, estavam trajando vestes brancas e traziam palmas na mão (...) de pé diante do Trono de Deus e lhe prestavam culto noite e dia”. Esta é a meta a qual Deus veio nos conduzir e o modo para lá chegar é o que nos ensina hoje, Jesus. Sendo Suas ovelhas porque Ele é nosso Bom Pastor.
Como vivemos num mundo inflacionado de Palavras e falsas promessas, a Liturgia coloca essa apresentação de Jesus bem depois daquilo que por nós sofreu, porque dizendo que não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos, depois que o fez por nós, quando, pelo pecado nos havíamos tornado Seus inimigos, ninguém pode duvidar de Sua idoneidade e de Seu amor total e absoluto por cada um de nós, apresentando sua duvida como desculpa para não segui-Lo. Hoje Ele se apresenta como Bom Pastor para se diferenciar dos maus pastores que eram aqueles que só cuidavam das ovelhas por causa do salário que receberiam no fim do mês, totalmente diferentes dos pastores pobrezinhos que não podendo pagar salario para funcionários, eles próprios cuidavam de suas ovelhinhas e ajudavam no parto de cada uma delas colocando-lhes o nome de acordo com as características próprias com as quais cada ovelha nasce ou de acordo com as circunstancias que envolveram o dia de seu nascimento. Os pastores mercenários não tiveram a chance de ver nascer, e de ministrar os primeiros cuidados nas ovelhas de seu patrão, por isso não tem afeição por cada uma delas nem lhes conhece o nome.
Jesus é O Bom Pastor que nos conhece pelo nome e que já provou ter dado a vida a vida por cada um de nós. Ele foi que nos criou e que planejou cada traço de nossa pessoa, personalidade e temperamento.
Depois de nos revelar aquele que pede nosso seguimento a Liturgia nos faz saber o que Ele espera de nós para que possamos entender se fazemos ou não parte do Seu rebanho, ou seja, se realmente fazemos parte do número daqueles que, agradecidos por tudo o que Ele fez por nós, querem responder pelo seguimento, ao Seu amor infinito. Assim, para sabermos se de fato somos ou não discípulos, ovelhas que por Ele se deixam guiar a Palavra de Deus nos revela as características das ovelhas do Bom Pastor. Diz Ele: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, me seguem”.
Escutar a voz do Bom Pastor é uma comparação com a diferença dos pastores mercenários que, por não saber o nome de cada uma das ovelhas do rebanho que cuidavam apenas como funcionários, elas não lhes reconhecem a voz, mas Jesus afirma que as Suas ovelhas, ou seja, aqueles que fazem parte de Seu rebanho, reconhecem A Sua voz, não no sentido do timbre da voz mas na busca do conhecimento de Sua vontade, pela leitura assídua de Sua Palavra, pela escuta atenta da Palavra proclamada em cada Santa Missa e de uma atenção constante a tudo o que nos fala em cada acontecimento do dia-dia.
Além de lhE escutar a voz as ovelhas de Jesus O Bom Pastor O seguem, não basta conhecer a Sua voz no sentido de saber o que Ele pede de nós, é preciso obedecer o que Ele nos pede, isso é o que significa segui-lO, para termos certeza de chegarmos aonde Ele nos quer levar, “ás fontes da Água Viva” onde “nunca mais terão fome nem sede”, ou seja, Ao Próprio Deus que “enxugará todas as lagrimas de seus olhos”.
Estas pastagens eternas são para todos, por isso S. JOAO viu “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, que ninguém podia contar” porem para lá se chegar é necessário passar pela “grande tribulação”, ou seja, por todas as provações e sofrimentos desta vida, reservados a todos os que obedecem Ao Bom Pastor cujo fim foi a crucifixão e morte para que todos tenham vida e vida abundante.
Isto é o que significa pertencer ao rebanho do Bom Pastor Jesus, é ser seu discípulo que escuta Sua voz, ou seja, que obedece a Sua vontade e a vontade dEle é que nos amemos como Ele nos amou, dando a vida pela salvação de todos. É morrer para que todos tenham vida plena. É por isso que Ele deixou bem claro” “Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”.
 
 
 
 
 
 
 



III DOMINGO PASCAL ANO C


ANTES A DEUS DO QUE AOS HOMENS
POR PE. TARCISIO AVELINO, TF

Para nos ensinar a necessidade de obedecermos a Deus acima de tudo, a Liturgia de hoje nos revela um pouco da glória, força, poder e majestade das quais Cristo se havia despojado para nos redimir como homem e que Joao contemplou, como lemos na Segunda Leitura, mas mostra nos também, no Evangelho, a necessidade que temos da humildade, para, como Pedro, diferentemente de Judas aproveitarmos as ocasiões que Deus sempre nos oferece de reparar, pelo amor, as ofensas que cometemos contra Ele para que estejamos em condições de dar um verdadeiro testemunho de Seu amor perante os homens.

O testemunho destemido e lúcido de Pedro que contemplamos na Primeira Leitura só foi possível porque ele, depois de sua tríplice negação aceitou humildemente o mesmo olhar que, com ternura lhe chamara nas margens do mesmo mar no qual hoje recebe a oportunidade de se redimir de sua tríplice negação por uma tríplice confissão de seu amor.

Dentre as muitas lições que nos ensinam o Evangelho de hoje, destaco a lição de que Deus jamais nos deixa sem ocasião de reparar nossos pecados, de nos arrependermos de cada um deles, ainda aqui neste mundo, daí a importância do mandamento não matar pois ele é a garantia de que cada pessoa tenha o seu tempo necessário, enquanto em caminho para a Pátria definitiva, terá o tempo necessário, não só para sua conversão, como também para se arrepender perfeitamente de seus pecados e de sanar os danos por eles causados por um amor dado pelo próprio Deus.

Pedro já havia sido chamado por Cristo para ser pescador de homens, e já tinha concluído a Escola do discipulado de Cristo na qual tivera a oportunidade de aprender como pescar homens, no entanto, retorna a pescar peixes, ainda não havia chegado o momento de deixar tudo de vez para se dedicar exclusivamente à sua vocação, faltava-lhe a oportunidade de declarar na mesma medida de sua traição, o seu amor por Aquele que renegara, só então, pôde, não só tomar consciência do quanto amava a Cristo, mas ao mesmo tempo do quanto é fraco para sustentar o testemunho que dEle era chamado a dar, para pescar homens. A rede lotada de tantos grandes peixes que um só não conseguira arrastar é então por ele arrastada, significando que chegara o momento de assumir o primado sobre os demais no qual Seu Mestre lhe havia constituído. De agora em diante estará, como vemos na Primeira Leitura, em condições de dar a maior prova de amor que se pode dar a um amigo, morrendo por causa de Seu testemunho do mesmo gênero de morte que morrera Aquele que por Ele dera a vida.

Uma vez consciente de sua fraqueza e pequenez, mas confortado pela oportunidade que tivera de declarar seu amor na mesma medida que traíra Seu Salvador, não teme quando face a face com os responsáveis pelo cruel assassinato de Seu Senhor, revela a eles a culpa e responsabilidade que tinham na morte deste inocente Cordeiro que livremente se entregou por nossa salvação.

“´É preciso obecer antes a Deus do que aos homens”. Sim! É preciso porque, Ele é Deus e a Deus, O Criador  é que todos devem obedecer porque só Ele é O Senhor, o dono absoluto de tudo e de todos. Porém, tendo colocado, desde a criação tudo nas mãos do homem para que dominassem e subjugassem a terra, Deus, como que perdera os direitos sobre Sua própria Criação quando, o homem, lhe virando as costas se coloca, com tudo que tinha em suas mãos, nas mãos daquele que “veio para roubar matar e destruir”, é então que Deus se fez homem como nós e, pelo preço de Seu sangue resgatou o homem e tudo o que havia a ele submetido por isso, a Segunda Leitura nos revela a Liturgiia do Céu, espelho da Liturgia com a qual honramos a Deus na terra, onde vemos que é por meio de Cristo que devemos oferecer nosso culto, oferendas e tudo a Deus e com eles dizemos sempre: “Digno é O Cordeiro imolado de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, e a força, a honra, a glória e o Louvor”. Sim! Ele é digno porque é Dono de tudo e de tudo, principalmente de Si mesmo,fez dom aos homens. Por isso é DIGNO de todo bem porque tudo é dEle. É digno não só por direito mas por reconhecimento de nós Seus filhos, como resposta ao quanto nos ama. É por isso que convém obedecer antes a Deus do que aos homens porque Deus é o único que “vive para sempre” e pode dar a vida eterna àqueles que, como Pedro, à imitação de Seu Mestre Jesus, não fizeram caso de suas vidas neste mundo dando para a salvação da humanidade.